O suicídio egoísta
• É aquele em que o ego individual se afirma demasiadamente face ao ego social, ou seja, há uma individualização desmesurada. As relações entre os indivíduos e a sociedade se afrouxam fazendo com que o indivíduo não veja mais sentido na vida, não tenha mais razão para viver;
• É um ato que se reveste de individualismo extremado. É o tipo de suicídio que predomina nas sociedades modernas e é geralmente praticado por aqueles indivíduos que não estão devidamente integrados à sociedade e geralmente se encontram isolados dos grupos sociais (família, amigos, comunidade, por exemplo).
• A depressão, a melancolia, a sensação de desamparo moral provocadas pela desintegração social tornam-se, então, causas do suicídio egoísta.
• Se no tipo egoísta ela afrouxa seus laços a ponto de deixar o indivíduo escapar, neste segundo o ego da pessoa não lhe pertence, situando-se num dos grupos de que ela faz parte, como a família, o Estado ou a Igreja.
• A pessoa se mata para não sofrer mais;
• Trata-se de quando a pessoa em questão perde a maior parte dos laços que a prendem à sociedade. É um fulano que praticamente não tem amigos, perdeu (ou nunca teve) a garota (ou o garoto), não se dá bem com a família e não se sente útil de forma alguma à sociedade. Diante de tanta mizerabilidade, ele pensa: ninguém vai sentir minha falta e zás! Acaba com tudo. (acho que o Durkheim encaixaria aqui aqueles malucos que saem atirando dentro das escolas nos EUA, se ele os tivesse conhecido).
O suicídio egoísta: a sociedade religiosa
O contexto histórico-social para análise é a Europa do século XIX. Desde a segunda metade do século XVIII que profundas transformações ocorreram na Europa tanto do ponto de vista do progresso material, quanto institucional. As chamadas revoluções burguesas provocaram a quebra dos modelos anteriores de sociabilidades e estabeleceram uma nova ordem econômica. Mesmo com os progressos advindos da industrialização e com o fim do Antigo Regime,