A dor Sociedade e cultura
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde
Departamento de Enfermagem
Disciplina: Sociologia
Janderson Matheus Rodrigues Sousa
Resenha do texto: A DOR, O INDIVÍDUO E A CULTURA.
São Luís
2013
A DOR, O INDIVÍDUO E A CULTURA.
Quando se fala em dor, a tendência é associá-la a um fenômeno neurofisiológico. Esta concepção, no entanto, implica a dor como uma experiência corporal prévia, à qual se agregam significados psíquicos e culturais. Ao contrário desta proposição, considerar a dor como um fenômeno sócio-cultural supõe considerar o corpo como uma realidade que não existe fora do social, nem lhe antecede. O social constitui o corpo como realidade, a partir do significado que a ele é atribuído pela coletividade. O corpo é “feito”, “produzido” em cultura e em sociedade.
Frente à dor do outro, há comoção, sofrimento (ou, mesmo, gozo), com maior ou menor distância e intensidade. Embora singular para quem a sente, a dor, como qualquer experiência humana, traz a possibilidade de ser compartilhada em seu significado, que é uma realidade coletiva (embora jamais possamos nos assegurar de que o que atribuímos ao outro, corresponda exatamente ao que ele atribui a si mesmo).
Não apenas o sentimento, mas também a expressão da dor regem-se por códigos culturais, constituídos pela coletividade, que sanciona as formas de manifestação dos sentimentos. Em culturas estóicas, onde se valoriza o auto-controle, por exemplo, a dor será vivenciada e suportada distintamente de outras culturas sem estes valores. A forma de manifestação da dor precisa fazer sentido para o outro. Vivenciado e expresso mediante formas instituídas coletivamente, tal sentimento se torna inteligível para o grupo social. Os sentimentos constituem uma linguagem.
MAUSS [1923-1924], ao conceber a realidade social como um universo simbólico, ressaltou o caráter inconsciente dos costumes. O costume passa a ser visto como da ordem da