Sociologia Da Conflitualidade
VIOLÊNCIA E CONFLITUALIDADES
Rosimeri Aquino da Silva, analisando a obra Violências e Conflitualidades, de José Vicente Tavares dos Santos, entende que este buscou forçar-nos a refletir sobre a necessidade de que para analisar a sociologia atual, é preciso compreender a violência que está inserida nesta. Questiona se esta viria a ser parte da ordem ou um conflito que surgiria por determinadas razões.
Tavares propõe-se, em sua obra, a buscar a compreensão de práticas sociais tidas como violentas, como a violência política, costumeira, de gênero, raça, credo, ecológica, na escola, entre outras.
Tavares cria então a Sociologia da Conflitualidade, com o fito de compreender a prática de tais atos violentos na sociedade brasileira, a qual, segundo o autor, está vinculada historicamente a uma "cidadania dilacerada", em razão das diversas relações autoritárias presentes na vida social. O estudo busca recursos também na ruptura do contrato e laços sociais, que geram fenômenos de desfiliação e de quebra nas relações entre os indivíduos.
Além, tal violência seria sempre antecedida ou justificada, prévia ou posteriormente, por violência simbólica praticada em razão de uma subjetivação dos agentes sociais envolvidos na relação.
O autor entende que a violência seria o abuso de poder exercido por determinado indivíduo ou classe em detrimento de outro indivíduo ou classe, funcionando como dispositivo de controle social, sendo tais normas aceitas, de certa forma, e estando disponível apenas para determinados grupos.
Buscando localizar a violência no cenário atual, e valendo-se dos estudos de Göran Therbon, Tavares relaciona a globalização com as desigualdades sociais, pois nestes os fenômenos da violência adquirem contornos disseminados por toda a sociedade, os quais produzem um dano social e que inicia a exclusão, efetiva ou simbólica, de determinados grupos.
Tavares também vislumbra que tais práticas violentas acabam por gerar outras relações