Ciencias socias aplicada
Celso Lafer
Do livro: "Ensaios Liberais", de Celso Lafer, Editora Siciliano, ano 1991, São Paulo, págs. 62 a 73
O liberalismo é uma doutrina que tem vários patronos. Entre eles avultam Locke, Montesquieu, Kant, Adam Smith, Humboldt, Benjamin Constant, Tocqueville e John Stuart Mill. Esses autores, se têm afinidades, caracterizam-se também por apreciáveis diferenças. Por isso, pode-se dizer que a doutrina liberal é, desde as suas origens, uma doutrina pluralista, com vários clássicos. Contrasta, nesse sentido, com o socialismo que, identificando-se preponderantemente com o pensamento de Marx, dele fez o clássico por excelência, daí advindo uma certa propensão para o misoneísmo intelectual da esquerda.
No âmbito da família liberal é possível distinguir, como fez Larry Sidentop, a tradição francesa da inglesa. Com efeito, os franceses - começando com Montesquieu e continuando com Guizot, Benjamin Constant, Tocqueville e Raymond Aron por serem juristas, historiadores e sociólogos, trataram das condições sociais da ação política e elaboraram uma perspectiva da doutrina liberal, tendo em conta a distinção entre as instituições políticas e a estrutura social. Buscaram, assim, no seu percurso, construir a teoria política liberal com base numa teoria de mudanças social e histórica. Não foi esse o caminho dos ingleses que, começando com Locke e continuando com Hume e Stuart Mill, foram, antes de mais nada, filósofos da mente e do conhecimento de cunho empírico, no contexto de uma preocupação metodológica com regras de rigor e possibilidades de verificação. Nesse sentido, para sublinhar a vinculação de Stuart Mill à tradição inglesa, importa mencionar que, entre os seus livros fundamentais, que antecedem Sobre a liberdade, que é de 1859, estão o Sistema da lógica e os Princípios da economia política.
O Sistema da lógica dedutiva e indutiva: exposição dos princípios da prova e dos métodos de investigação científica é e 1843, revisto para a