O Brasil e o brasileiro na visão do estrangeiro
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
Ciências Sociais – Sociologia Brasileira
O Brasil e o brasileiro na visão do estrangeiro
Michele Tainá Macena de Carvalho
Belo Horizonte, março de 2014.
A visão do estrangeiro sobre o Brasil permaneceu, desde Caminha até hoje, quase inalterada. É interessante observar que muitas das características e dos valores atribuídos ao brasileiro e ao Brasil foram absorvidas, fazendo com que uns se orgulhem por ser “verdadeiramente brasileiro” e outros se sintam completamente deslocados.
“O que somos ou pensamos que somos são temas recorrentes em nossa história. E em boa medida faz parte do que herdamos do passado e de como lidamos com isso.” (Documentário “Brasil no olhar dos viajantes” da TV Senado).
Tudo começou com a chegada dos portugueses ao nosso litoral. Logo após o achamento destas terras, Pero Vaz de Caminha relatou ao rei de Portugal ter encontrado um lugar de índias com corpos invejados pelas portuguesas, e que não tinham nenhum pudor. Os homens, igualmente desavergonhados, não se importavam em andar nus. Pessoas endemoninhadas, sem lei, sem rei, sem governo e sem roupa. Selvagens que não conheciam a civilização, mas que aos poucos serão civilizados. Qualquer semelhança com a realidade atual do brasileiro - acredite - não é mera coincidência. Desde o período colonial até hoje, ainda somos o país do futuro.
A relação de amor e ódio, também não é nova. Os viajantes e os primeiros habitantes estrangeiros já viviam o conflito entre classificar o Brasil como “paraíso terrestre” (uma espécie de novo jardim do Éden) ou em Inferno. Ainda hoje não se sabe se vivemos num “país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza” ou em lugar esquecido por este Deus.
Outra constatação que marcou nossa história é a de que nesta terra, “plantando, tudo dá.” É claro que não é suficiente para explicar, mas cinco séculos depois ainda temos os produtos