Saúde
RIO DE JANEIRO Saúde como estado: o corpo produzido
O presente trabalho apresenta questões que perpassam pelo corpo em suas manifestações de saúde e doença na medida em que é pelo corpo e através do corpo que emergimos enquanto seres autônomos construindo nossa individualidade. Podemos dizer que o corpo reflete a interação entre os fatores biológicos, psicológicos, sociais, históricos, culturais e políticos; sendo impossível dissociar tais fatores. Assim, separar o corpo dado, recebido, conjunto de códons em sequências de nosso DNA, é impossível. Todo conhecimento e produção acerca do corpo são mediados pela cultura, portanto definir saúde ou doença tendo como base somente o biológico seria uma conduta estigmatizada. Somos sujeitos relacionais, atores sociais capazes de apropriar-se e transformar o corpo. A vida em sociedade impossibilita as escolhas livres de pressões, de valores; eles permeiam desejos e motivações da conduta humana. Nessa perspectiva, o corpo não é apenas dado pela natureza, pronto e acabado, está em constante movimento, é dinâmico e inconstante. Mudam-se os hábitos alimentares, desejos, necessidades, cuidados, medicamentos, intervenções médicas, em acordo com o passar do tempo. Também, o corpo é mais que um aglomerado de órgãos, está integrado pelo sentir, pensar e agir. O corpo refere-se à apropriação subjetiva de experiências que envolvem emoção, prazer, dor, rejeição, ao lado de transformações físicas. É um bem simbólico produzido a partir de uma dada sociedade, em um determinado tempo histórico (ANDRADE; WIIK; VASCONCELLOS, 2004). Representa, pois as potencialidades biológicas, o corpo dado, em conjunto com a percepção individual das dimensões psicológicas, culturais e sociais. Não podemos negar a importância da fisiologia do organismo que impõe limites ao que é materialmente possível, contudo essas predisposições fisiológicas não produzem por si mesmas o corpo. Este é a