mst luta e perspectiva
MST: história, luta e perspectivas.
Por Clarissa F. do Rêgo Barros1.
Introdução:
Entender a repercussão da luta do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra em favor da questão agrária implica em retomar particularidades históricas, relacionadas a importância da propriedade terra para a economia e agricultura brasileira, e as conseqüências para a população rural perante um modelo econômico voltado para o desenvolvimento do país caracterizado pela agroexportação.
Embora a resistência pela terra seja uma questão antiga na história brasileira, os movimentos de reivindicação por direitos ao acesso à terra e reconhecimento como trabalhador do campo são contemporâneos, iniciando-se por volta de 1950 com as Ligas
Camponesas liderado pelo deputado advogado Franscisco Julião. Abafadas durante vinte anos por conta da ditadura militar, as ligas camponesas passaram a assumir forma de um movimento social ligado à sindicatos trabalhistas no final da década de 1970.
Apenas em 1994 o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra foi fundado ganhando características múltiplas por meio de militantes preocupados não só com o acesso ao direito à terra, mas sobretudo com a educação e um novo modelo político e econômico para os trabalhadores do campo e a sociedade em geral.
A questão política só começará a ser um ponto forte na discussão da questão agrária a partir dos anos 1990, momento em que são adotadas as políticas neoliberais no
Brasil. Para o que nos interessa neste artigo, as políticas neoliberais no que se refere a terra, privilegiou a continuidade do modelo de agroexportação e de latifúndio como base da produção econômica brasileira, aderindo também a agroindústria como fonte de tecnologia e alta produtividade para as plantações. Para a manutenção do sistema agroindustrial foram adotadas além do capital estrangeiro como força motriz, as sementes transgênicas e a monocultura para o abastecimento do mercado externo.
Neste sentido, o neoliberalismo contribuiu