Inserção internacional
Inserção Internacional: Formação do Conceitos Brasileiros
Capitulo 3 : Paradigmas da política exterior: liberal-conservador, desenvolvimentista, neoliberal e logístico.
No terceiro capitulo de sua obra, Cervo dedica-se a explicar o que entende por paradigmas de política externa. Esse conceito comporta três elementos fundamentais: a ideia de nação que o povo ou seus dirigentes fazem de si mesmo e do mundo; a percepção de interesses que o dirigente político projeta para a nação; e a elaboração política que se desenrola a partir do paradigma. Como se pode notar, sua concepção de paradigmas é próxima ao tipo ideal weberiano, conforme reconhece Cervo. Assim como os tipos ideais, os paradigmas não são perfeitamente encontrados nas ações dos dirigentes, mas podem servir como um parâmetro de comparação entre o típico-ideal e a realidade histórica.
Na política externa brasileira, quatro grandes paradigmas poderiam ser adotados para dar inteligibilidade à ação dos diferentes dirigentes até os dias de hoje: o paradigma liberal-conservador (1810-1930); o paradigma desenvolvimentista (1930-1990); o paradigma normal ou neoliberal (1990-2002); e o paradigma logístico. Justamente por considerar tênue a linha divisória entre política e teoria, Cervo não hesita em expressar suas preferências políticas, fazendo avaliações críticas dos homens que levaram adiante paradigmas que considera não terem atendido ao objetivo maior do desenvolvimento nacional. Mais do que tipos ideais (no sentido de existirem apenas nas ideias), Cervo propõe um ideal de política externa (que se aproximaria do Estado logístico) que serve de medida para o sucesso ou fracasso dos variados governos. Com essa postura, esbarra, entretanto, em alguns anacronismos. Munido de tal aparato conceitual, Cervo critica, por exemplo, a adoção do paradigma liberal-conservador, que não esteve voltado ao interesse nacional do desenvolvimento entre os períodos de 1810 e 1930, mas sim sujeito aos interesses de