Incluir quem, por que e para que?
Se perguntarmos a algumas pessoas se são ou não favoráveis à inclusão de pessoas deficientes no sistema regular de ensino, certamente, verificaremos que a grande maioria dirá que é favorável e aquelas pessoas que se posicionarem contra causarão muita estranheza. Ou seja, para a maior parte das pessoas, o processo de inclusão a que nos referimos é visto como bom em si mesmo. Todavia, se nos detivermos um pouco para uma reflexão, veremos que os motivos e as finalidades do que chamamos de inclusão podem ser os mais variados, ligando-se a diferentes maneiras de conceber a deficiência e nem sempre são justificáveis ou bons. Portanto, para que se possa tomar uma posição, é preciso que se conheça, antes, o por quê e o para quê do processo de inclusão. Somente assim teremos uma compreensão das formas que se adotam ou se deveriam adotar na sua implementação. Em outras palavras, o que queremos dizer é que há muitas formas de inclusão, algumas desejáveis e outras não. Para expor os nossos argumentos em direção a essa tese, pretendemos mostrar como diferentes concepções acerca da deficiência articulam-se a diferentes formas de inclusão. A deficiência apresenta-se como uma das questões mais interessantes que desafiam a nossa compreensão. A análise histórica deste conceito mostra-nos a variedade de crenças e concepções ligadas ao tratamento das pessoas deficientes. Na antigüidade clássica, constatamos a predominância de uma visão mítica, sobrenatural do fenômeno, a que irão se sobrepor, em épocas futuras, a visão naturalista e a social; respectivamente, o fadário, o incidente casual, a determinação social, histórica, cultural, conforme veremos a seguir.
As visões que denominamos de fatalistas - porque contêm um sentido de predestinação - incluem a concepção sobrenatural e a naturalista. Para a primeira, a origem da deficiência encontra-se fora da natureza. Sendo a perfeição e a força da