O HOMEM COMO UM SER INCONCLUSO
Introdução
A linguagem do movimento e o movimento da linguagem estão numa profunda relação dando lugar a novas significações. Não é apenas um jogo de palavras, o sentido de um está diretamente implicado no do outro. Foi a partir desta implicação que considerei importante num contexto educacional seguir em busca de novos caminhos que complementem um trabalho de educação através do movimento. Um trabalho interdisciplinar onde a linguagem seria o ponto fundamental do processo pedagógico, no sentido de abrir horizontes simbólicos e ampliar possibilidades de comunicação para os sujeitos conhecerem e compreenderem os contextos a sua volta, e se reconhecerem como parte dele, trazendo o poder criador das experiências, que se traduz nas suas próprias expressões, levando-os à perspectiva relacional de diálogo e de troca. Merleau-Ponty, aborda o problema da expressão como um momento de unidade capaz de criar sentidos e significações. Acrescenta ele: "Expressar para o sujeito falante, é tomar consciência; ele não expressa somente para os outros, expressa para saber ele mesmo o que visa".2 Atualmente, a Educação Física está vinculada a exercícios mecanizados com repetições que buscam um padrão motor, a eficiência do movimento, o rendimento e não a sua significação. Com isto há um empobrecimento da contribuição desta área à própria Educação. O que está em falta é algo que torne o movimento mais integrado, mas singularizado, mais próprio, mais significativo: uma mudança de perspectiva. A partir do casamento das nossas experiências perceptivas e simbólicas é que promovemos um diálogo com o mundo, criando nosso próprio estilo de ser, favorecendo um olhar crítico e reflexivo, tornando os sujeitos mais atuantes na sociedade em que vivem. Apresenta-se destacado o papel da educação física enquanto promotora de uma perspectiva de educação dinâmica,