A China e a Guerra da Coréia
Giovanni Mannarino e Lauter Dourado
"[o PCC] decidiu enviar uma parte de nossas tropas, sob o nome de
Voluntários Chineses, para lutar contra os americanos e as forças de
[Syngman] Rhee na Coréia e para ajudar os nossos camaradas coreanos. [...]
Nós pensamos que este é um passo necessário, porque se permitirmos que a
Coréia seja ocupada pelos norte-americanos, as forças revolucionárias coreanas serão completamente destruídas. Veremos então os invasores americanos mais desenfreados, o que será muito desfavorável para todo o
Oriente." (Telegrama de Mao para Stálin em Outubro de 1950).
"Para chegar à libertação completa, os povos oprimidos devem apoiar-se em primeiro lugar na sua própria luta, e só depois na ajuda internacional. Os povos cujas revoluções já triunfaram devem ajudar os que ainda lutam pela libertação. Esse é o nosso dever internacionalista." (O livro vermelho, p. 128).
A Guerra da Coréia teve início no dia 25 de junho de 1950, com a invasão da Coréia do Sul pelas tropas norte-coreanas. Não se sabe ao certo quem foi o responsável pela deflagração do conflito - até hoje os coreanos do sul e do norte acusam como responsáveis os homens do outro lado do paralelo 38°. Com a entrada dos Estados Unidos da América (EUA)
- 27 de junho de 1950 - e das tropas da ONU na Guerra esse conflito deixa de ser local, uma simples guerra civil, e transforma-se em um dos mais tensos e sangrentos embates da Guerra
Fria.
Para compreendermos melhor esse conflito é importante analisar a situação política dos países envolvidos - Coréia, Japão, China, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
(URSS) e EUA - nos anos que antecederam a guerra.
Antecedentes
A península coreana foi um dos primeiros territórios asiáticos a ser ocupado pelas tropas japonesas em seu expansionismo imperialista, ainda no início do século XX (1910).
Nas décadas seguintes, dando seguimento a essa política, os japoneses ocupariam boa