Verdade e subjetividade - resenha
Verdade e subjetividade: o poder, o governo e si mesmo
Ana Paula Bandeira
Universidade Federal de Santa Catarina -a_p_bandeira@yahoo.com.br Jornalista e mestre em Jornalismo pelo Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR/UFSC).
Resenha
O o tema central do livro Do Governo dos Vivos, que reúne excertos do Curso no dos homens pela
Collège de France, entre 1979 e 1980, é governo manifestação da verdade sob a forma de subjetividade. A partir desta temática maior, o curso versa sobre o tripé Poder, Governo e Si Mesmo. Para tal, Foucault revisita a história antiga, em cuja abordagem busca elementos no passado que nos ajudam a definir as formas do presente. Vai aos séculos II e III, de onde busca a história romana; resgata ainda os textos gregos arcaicos usados entre os poetas do século VI para trazer à tona as formas de veridição, que se davam através de entidades exteriores ao EU do autor, ao EU que fala. Com intuito de estudar o elemento da primeira pessoa – o EU alvo de estudo de Foucault naquele 1980 – o filósofo perpassa o dizer verdadeiro do século VI para levantar a problemática do momento em que a manifestação de verdade pôde ser feita por aquele que fala. Permeando os textos das aulas proferidas, alguns aspectos do cristianismo, como a teologia do batismo (séculos III e IV), as formações das entidades religiosas e a confissão. Em verdade, as “heranças” do cristianismo pautam os
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Estudos em Jornalismo e Mídia - Vol. 9 Nº 2 – Janeiro a Junho de 2012 ISSNe 1984-6924 DOI: http://dx.doi.org/10.5007/1984-6924.2012v9n2p5 67
raciocínios do filósofo até o último instante, quando ele suscita o questionamento sobre a necessidade ou não de uma hermenêutica vinda dos primeiros séculos do cristianismo. De tempos em tempos Foucault fala sobre o que já fez, o que está fazendo e o que pretende fazer