Superlotacao
Desde o início da conquista, os portugueses descobriram a importância estratégica de Moçambique para a realização do comércio da costa oriental africana, mas também como base de apoio do comércio com a Índia e para a navegação de longo curso. Na primeira fase, século XVI, o interesse dos mercadores portugueses era fundamentalmente o ouro do Monomotapa que saia por Sofala e era capturado pelos mercadores árabes. Com esse ouro faziam concorrência aos portugueses não só na costa africana, como no Índico asiático.
O comércio da Costa Oriental africana - Ouro
Mas os portugueses precisavam de ouro para a compra das especiarias e das fazendas finas na Índia, por isso lutaram para assumir o controlo total do comércio e da produção do ouro e o conseguiram em meados do século XVII. Ao lado do ouro, resgatavam também outros géneros como marfim, cera, escravos, etc. Mas, do final do século XVII a meados do século XVIII, o marfim constituiu em volume e valor, a mercadoria mais importante que se tirava da costa africana para alimentar o comércio indiano. Ainda em meados do século XVII, os holandeses, conquistando Angola, assumiram o controlo do comércio de escravos da costa ocidental africana. Então, os portugueses procuraram compensar essa perda com a compra de escravos na costa oriental africana. Isto quer dizer que, no período de predominância do marfim, também não era pequena a oferta de escravos, embora o grande comércio de escravatura tenha sido no período que vai de meados do século XVIII a meados do século XIX.
Esse comércio nem sempre foi tranquilo. Depois de 1756 Morimuno voltou a bloquear o trânsito das caravanas Ajaua, a quem se destinava a maior percentagem das missangas. Nessa altura, unidos aos Mauruça e dominado o uso das armas de fogo fornecidas por franceses, indianos, brasileiros e portugueses para facilitar a captura de escravos, os tornavam invencíveis na guerra do marfim. Por isso, o volume de marfim ofertado ao comércio não era regular,