resumo frei luis de sousa
Drama ou Tragédia
No texto “Memória ao Conservatório Real”, Garrett refere que apesar de se contentar com o título de drama para a sua obra, esta apresenta características do antigo género trágico (“contento-me para a minha obra com o título modesto de drama: só peço que a não julguem pelas leis que regem, ou devem reger, essa composição de forma e índole nova; porque a minha, se na forma desmerece da categoria, pela índole há-de ficar pertencendo sempre ao antigo género trágico.”).
Ora a tragédia clássica centra a sua acção num conflito entre os homens e os deuses: à arrogância do ser humano em ansiar pela liberdade, os deuses respondem com um castigo que se traduz na catástrofe. Por outro lado, o drama romântico assenta no real, que resulta da combinação do sublime e do grotesco; o drama espelha a realidade social num dado momento e retrata o Homem não como vítima do destino e dos deuses, mas como ser responsável pelos seus próprios actos e paixões.
Características da tragédia clássica presentes em Frei Luís de Sousa
- Existência de um número reduzido de personagens.
- Personagens pertencentes a estratos sociais elevados.
- Condensação do tempo em que a acção decorre.
- Existência de poucos espaços.
- Acção sintética, isto é, existe um número reduzido de acções a convergir para a acção trágica.
- Reminiscência do coro da tragédia clássica em Frei Jorge e Telmo Pais.
- Existência de momentos que retardam o desenlace trágico.
- Ambiente trágico marcado por uma solenidade clássica.
- Presença de elementos como: ● ananké (destino) – responsável pela ausência e cativeiro de D. João de Portugal durante vinte e um anos e pela mudança da família de Manuel de Sousa Coutinho para o palácio de D. João de Portugal; ● hybris (desafio, crime do excesso e do ultraje) – presente essencialmente no amor e no casamento de D. Madalena com Manuel de Sousa Coutinho, sem a confirmação da morte do seu primeiro