Provas
Tomé é um menino que queria muito ter os poderes dos super-heróis das histórias em quadrinhos. Já havia tentado tudo para se transformar num deles até havia convencido sua mãe a confeccionar uma roupa de super-homem para ele. Mas, para seu desgosto não havia conseguido nenhum resultado a não ser um grande rombo em seu joelho. Pensou muito e... apesar de não ser muito bom em redação, resolveu arriscar assim mesmo. Não sabia bem porque, preferia fazer tudo sozinho, sem contar pra turma. Tinha medo de gozação... Economizou o dinheiro que a mãe dava pra comprar doce, gastou tudo em envelopes aéreos. Foi pra casa e escreveu uma porção de cartas mais ou menos assim:
Exmo. Sr. Super-Herói:
Como vai? Eu aqui vou bem. Só ontem que sem querer marquei um gol contra e o time todo queria me massacrar, mas tudo bem e agora estou escrevendo porque queria saber uma coisa muito importante: eu tinha (quer dizer, tenho) muita vontade de virar super-herói, que nem o senhor, e ajudar o bem e a justiça, mas não sei como. Será que o senhor pode me dizer como eu faço pra entrar na Legião dos Super-Heróis e virar um também? Juro que só vou me dedicar ao bem e à justiça, tá?
Cordialmente, Tomé
Agora, tinha o problema dos endereços. Tomé pensou, pensou. Essa parte parecia difícil. Sim, porque todos os super-heróis têm a mania de ocultar a identidade e é óbvio que não dão o endereço a ninguém. Mas o Tomé já tinha visto a Celina escrever pra um artista de televisão. Em vez de mandar a carta pra casa dele, ela mandou pra televisão mesmo. É isso aí! Tomé pegou todos os endereços das revistas e das emissoras onde os super-heróis trabalhavam e pôs nos envelopes. Depois, colou tudo direitinho, pegou o que restava de suas economias e partiu.