Platão e Literatura
Na concepção que adotamos nesse estudo, os autores clássicos da literatura e da filosofia sempre têm algo a nos ensinar sobre a natureza humana. Retomando o objetivo, pensamos modos de apropriação dos saberes apontados por esses autores em favor da educação. Paviani apresenta Platão como um clássico. Argumenta que os diálogos platônicos conservam certa oralidade e afirma que “a leitura de Platão é ao mesmo tempo fácil e difícil. Podemos lê-lo como se lê um texto literário, por prazer e curiosidade. Também podemos lê-lo com espírito crítico e interpretativo”.
Os diálogos de Platão convidam o leitor a entrar nas entrelinhas, assim como fazemos com os textos literários; ou seja, os diálogos têm aberturas que acolhem a subjetividade do leitor. A grande lição desses textos está em permanecerem inconclusos, é mais importante esclarecer os diversos aspectos ou elementos de um problema do que resolvê-lo. Encontra-se abertura tanto no texto filosófico de Platão como no literário de Tchekhov. Essa particularidade sugere caminhos ao leitor, convidando-o a escolher o que achar mais conveniente, mais significativo para si próprio.
O pensamento platônico valoriza o filosofar. Considerando-o forma e método, implicando desenvolver argumentos, conduzir processos dialéticos do conhecimento e, ainda, tomar decisões, definir condutas, estabelecer modos de viver, assumir visões do mundo. A importância do filosofar promove o desenvolvimento de habilidades e não apenas o acesso a informações pontuais.
Para melhor entender de que forma as contribuições de Platão podem ser úteis aos estudos literários, faz-se necessário traçar um breve quadro da situação da escola enquanto promotora da leitura nos dias atuais. O entendimento da literatura na escola brasileira (aqui restrita ao Ensino Médio, já que é onde essa disciplina se “formaliza”), se reduz ao estudo sistemático e linear de escolas e teorias literárias. Esse enfoque preconiza um contato superficial com