Ideologia uma introdução
Roque de Barros Laraia
Resenha crítica da primeira parte do livro, intitulada “Da natureza da cultura ou da natureza à cultura”
Autor: Carlos Eduardo Vaz Feitosa Laraia começa a primeira parte de sua obra descrevendo um breve histórico sobre o desenvolvimento do conceito antropológico de cultura. Cita Confúcio, que quatro séculos antes de Cristo postulou “A natureza dos homens é a mesma, são os seus hábitos que os mantêm separados". Cita também Heródoto e sua visão peculiar dos Lícios, arraigado por sua própria visão etnocêntrica e patrilinear, ele é citado por contextualizar esse povo e sua singularidade de carregar aspectos do ramo feminino da família, em: “Eles têm um costume singular pelo qual diferem de todas as outras nações do mundo. Tomam o nome da mãe, e não o do pai. Pergunte-se a um lício quem é, e ele responde dando o seu próprio nome e o de sua mãe, e assim por diante, na linha feminina. Além disso, se uma mulher livre desposa um homem escravo, seus filhos são cidadãos integrais...”
Embora que, se a situação fosse inversa os filhos gozariam da cidadania. Em contraponto com o caráter interpretativo do padre José de Anchieta (1534 - 1597), que demonstra certo estranheza ao afirmar os costumes patrilineares dos Tupinambás. Existe também uma referência a Montaigne (1533-1572), que buscou amenizar seu próprio espantamento com relação aos mesmos Tupinambás, não os caracterizando como bárbaros pelos atos de antropofagia. Alertando que a condenação de tais atos não nos leve a cegueira dos nossos, num relato marcado pela ideia de não prejulgamento, e porque não dizer pensamento inclusivo ao assinalar o relativismo cultural, quando compara aos atos praticados por vizinhos de seus conterrâneos tão cruéis quanto. Pensamento esse manifestado em: “na verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra”. Laraia ainda passa por Marco V. Pollio, Ibn Khaldun e Jean Bodin, que escreveram sobre