guerra as drogas
No Brasil, a superlotação das cadeias não pode ser separada da visão proibicionista e punitiva da justiça criminal com relação às drogas. Nos EUA, um terço dos presos cumpre penas relacionadas ao uso de substâncias ilegais. Para Ethan Nadelmann, a guerra às drogas gera mais problemas do que as drogas em si
Ehan Nadelmann é fundador e diretor executivo da Drug Policy Alliance, organização não governamental sediada nos Estados Unidos que se dedica à promoção de alternativas à chamada “guerra às drogas”. Defensor de políticas que passam pela descriminalização e regulação das drogas atualmente ilícitas, Nadelmann foi um dos estrategistas das campanhas em favor da legalização do uso recreativo da maconha que conquistaram vitórias históricas, em novembro de 2012, em referendos realizados nos estados de Washington e Colorado.
Em maio, numa rápida visita ao Brasil, Nadelmann apresentou, em Brasília, uma das palestras mais aguardadas no Congresso Internacional sobre Drogas 2013. Depois de narrar os avanços em curso em vários estados norte-americanos, ele alertou para os riscos de retrocesso representados por um projeto de lei (PL) em tramitação no Congresso brasileiro. Na visão dele, se transformado em lei, o PL n. 7.663/2010, que se propõe a enfrentar a questão das drogas com internações forçadas para dependentes e aumento de penas de prisão para traficantes, não trará os resultados prometidos e agravará os problemas.
Duas semanas depois de Nadelmann ter concedido esta entrevista ao Le Monde Diplomatique Brasil, o PL, de autoria do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), foi votado e aprovado na Câmara. Enquanto prossegue a tramitação, que ainda depende da aprovação do Senado, as informações, análises e alternativas expostas nestas páginas podem ajudar a esclarecer um tema vital, frequentemente obscurecido por desconhecimento e preconceito.
DIPLOMATIQUE – Por que você defende o fim da guerra às drogas?
ETHAN