educaçãó
João Amado *
Resumo: O autor parte do princípio de que a problemática da indisciplina e violência escolar se deve a múltiplos factores interiores e exteriores à escola; ao professor é exigido que lhe dê a melhor resposta de carácter pedagógico. Essa resposta, essencialmente preventiva, passa pelo exercício de quatro fundamentais dimensões da competência docente: técnica, relacional, clínica e pessoal. Com base em dois trabalhos de campo, o autor explicita o seu ponto de vista sobre cada uma destas dimensões da competência docente e o seu efeito no comportamento dos alunos.
A indisciplina enquanto desafio à formação de professores
Não é novidade afirmar que a indisciplina escolar se tornou num dos problemas que mais aflige os professores. O volume de textos jornalísticos ou de opinião sobre o tema cresce
consideravelmente,
e
a
investigação
acompanha
esse
movimento
concluindo, também, que se trata de uma das questão mais sensíveis e de maior impacto nos primeiros anos da profissão docente (Silva, M. C., 1997; Cavaco, 1993; Veenman,
1984). Não pode, pois, a formação inicial passar ao lado dela e, muito menos, deixar pairar a ideia de que se trata de uma fatalidade inevitável, irremediável e apenas factor de angústias e desânimo. O problema deve ser encarado e analisado objectivamente de modo a serem identificados os seus factores e de modo a que o (futuro) professor obtenha a competência mínima para lhe dar a resposta possível no plano pedagógico; resposta que terá de ir no sentido da construção de uma “ordem” e de uma “paz” que decorra, naturalmente, da entrega e envolvimento participativo e motivado de todos
(professores e alunos, ao nível da turma e ao nível da escola, no próprio processo de ensino e aprendizagem).
Um dos aspectos a salientar é o da complexidade do problema da indisciplina 1
(que não se compadece com o habitual simplismo das explicações), e a