As lógicas do capitalismo
O sistema de mercado opera sob a égide do risco. (Letícia)
Para os empresários há o medo da concorrência, das crises internacionais,de cometer erros de gestão e perder o que se investiu e contrair dividas insolváveis, de intervenções estatais, de greves e de ver o negócio falir.
Para os assalariados há o medo de acidentar-se e ficar desempregado; deixar de ser produtivo e acabar na penúria; tornar-se obsoleto profissionalmente e ser condenado a uma velhice desamparada.
Para os consumidores, existem os receios de serem mal atendidos, manipulados, ludibriados, fraudados.
Para atenuar esses desassossegos, o Estado assegura claros direitos de propriedade, liberdade para empreender, garantia de execução de contratos, etc.
E para mitigar os assombros dos trabalhadores, foram instituídas certas garantias que se revestiram de caráter legal. Foram conquistados direitos sociais que complementam os direitos civis e políticos.
Os investimentos das empresas exigem longa maturação,reputação da marca,ocupação de um espaço empresarial particular que depende da competência técnica e da credibilidade pública.
O capitalismo contemporâneo assumiu uma nova configuração ao combinar-se com a Revolução Digital,que contribui decisivamente para que a transição entre o antigo capitalismo e o capitalismo social se efetue.Essa revolução tecnológica redefiniu a organização do trabalho: os trabalhadores deixam de ser desqualificados e se tornam co-responsáveis no controle da produção.
Duas lógicas convivem às turras: a do lucro e da responsabilidade social.A primeira, imantada pela satisfação dos interesses dos proprietários ou detentores do capital; a segunda, imbuída pela satisfação dos interesses dos demais stakeholders das empresas.
A lógica da responsabilidade social funciona como intrusa na paisagem capitalista.Resulta dos embates históricos levados a efeito por inúmeros movimentos políticos e associativos em defesa da