A Morte
Segundo o filósofo Nicola Abbagnano, existem duas formas de compreender a morte. A primeira é a morte como o “falecimento”, um fato que ocorre na ordem das coisas naturais; e uma segunda forma abarca a sua relação específica com a própria existência humana.
O falecimento, ou a também chamada “desintegração orgânica”, apresenta a analogia possível entre a morte e o fenômeno da cessação do orgânico, ou seja, o fim da vida consciente da matéria do qual somos constituídos.
Ainda que sejamos seres cheios de perplexidade, o fato de que todos morreremos um dia pode ser encarado como um evento da ordem dos acontecimentos das “coisas naturais”, como se tivesse uma ligação estreita com a nossa própria natureza.
Fato esse também que nos leva a outro item importante, a “igualdade dos homens perante a morte”. Ou seja, ainda que as diferenças e as dessemelhanças tenham-nos acompanhado toda a vida, diante da morte, o indivíduo se depara com uma “justiça”.
Levando em conta apenas o aspecto "atomista” e “materialista”, a morte não concerne propriamente à existência humana, pois carece de uma visão fenomenológica.
Em sua relação específica com a existência humana, podemos compreender a morte de três formas.
A primeira é encarando-a como início de um ciclo de vida, é onde encontram-se aqueles que afirmam existir a reencarnação, ou a vida incorpórea. Grande número de religiões e seitas apoiam-se nesse modo de compreender a finitude do ser humano, afirmando algumas a imortalidade da alma. Parece saciar o desejo humano de eternidade.
A segunda maneira é compreender a morte como o fim de um ciclo de vida. Essa visão nos parece ser muito popular, e muito divulgada. Parece servir de consolo ante o sofrimento que nos é imposto pela morte. Quem nunca ouviu a expressão: “agora lhe chegou o descanso”.
Acostuma-te à idéia de que a morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações. A