A maior vitória contra a sindrome de down
Pela primeira vez, cientistas conseguem desativar o cromossomo extra responsável pela doença. O feito histórico deverá permitir a criação de tratamentos de alguns dos danos físicos e mentais causados pela síndrome
Meio século depois que o pediatra francês Jérôme Lejeune descobriu que a causa da Síndrome de Down era um erro genético, a ciência acaba de desbravar uma nova fronteira capaz de proporcionar mudanças profundas na abordagem da enfermidade.
No maior avanço obtido até hoje contra a síndrome, os pesquisadores descobriram um meio de neutralizar a falha que deflagra o problema.
Em laboratório, uma equipe de especialistas da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, conseguiu “desligar” o cromossomo excedente ligado às origens da doença. Cromossomos são estruturas que abrigam diversos genes.
No caso da Síndrome de Down, o erro está localizado no cromossomo 21.
Ao todo, uma célula normal tem 46 cromossomos divididos em 23 pares.
A pessoa com Down tem 47, sendo que o cromossomo adicional está ligado ao par 21.
Essa condição – chamada de trissomia do cromossomo 21 – determina características associadas à síndrome.
Foi a primeira vez na história da ciência que se conseguiu desativar a ação de um cromossomo inteiro.
“Até agora, a correção de centenas de genes em todo um cromossomo estava fora do campo das possibilidades da medicina”, explicou Jeanne Lawrence, principal autora do artigo que detalha o experimento e que foi publicado na edição da última semana da revista científica “Nature”, uma das mais importantes do mundo.