Trabalho
Essa influência pode ser constatada na primeira parte do filme que relata a opressão vivenciada pelos operários da fábrica que são explorados e pressionados a produzirem cada vez mais. Devido a exercerem a mesma atividade, de forma repetitiva, perdem suas identidades, transformando-se em robôs compulsivos, conforme evidenciado na cena em que Chaplin fica desequilibrado e sai apertando tudo o que imagina ser uma porca/ferramenta. O ápice desse desequilíbrio é quando o gênio vê uma senhora com o vestido cheio de botões e sai correndo atrás dela, confundindo os botões do vestido com parafusos, e assim parte de seu trabalho.
A narrativa evidencia a visão que os proprietários das fabricas tinham sob os operários. Tendendo apenas o lucro em mente, obrigavam os seus subordinados a aumentar sua capacidade produtiva e sua carga horaria, sem se preocupar com as condições de trabalho dos mesmos, como na cena que mostra um rebanho de ovelhas em disparada, que nos leva a crer, metaforicamente, na associação do homem com o animal, que na vista dos proprietários das fabricas não tinham diferença.
É forte o apelo no filme para a questão da sobrevivência social, visto, por exemplo, através de uma cena brilhantemente atuada por Paulette Goddard, que interpreta uma órfã que, para sobreviver, furta comida pra si e suas irmãs. Um dos pontos mais marcantes do enredo aparece quando se dá o encontro dessa personagem com Carlitos, que a esta altura do filme já passou por muitas reviravoltas, desde a internação em um hospital psiquiátrico até em presídios, e como ela, precisa