Sotaque Nordestino
- Juvino, está na hora de você entrar! Estaremos no ar em 10, 9, 8, 7...
Juvino entrou e uma grande luz ofuscou sua visão. O despertador tocou e ele acordou estasiado. Era a quarta vez aquela semana que ele sonhava com aquilo. Os sonhos se tornaram mais frequentes depois da morte de sua mãe, a única pessoa que tinha na vida.
Durante meses, pensou em sair do Nordeste e tentar a vida no Rio de Janeiro, ser ator, comediante, jornalista, qualquer coisa relacionada à TV. Até que finalmente, Juvino tomou coragem e foi atrás do seu sonho na Cidade Maravilhosa.
O grande problema dos sonhos é, que estes não se tornam necessariamente realidade. Ao chegar no Rio, suas expectativas foram dilaceradas por um motivo muito simples, Juvino era nordestino, tinha sotaque, falava como paraibano arretado que era. E de acordo com as pessoas importantes da televisão, ninguém queria alguém que falasse "errado".
- Comunicação é tudo! - falavam para ele.
- Você até que é talentoso, volte aqui depois que você se livrar dessa herança linguística horrível!
Após diversas tentativas e desiludido com os inúmeros "nãos", Juvino foi atrás de um emprego, afinal as responsabilidades chegavam sem tardar todo mês. Depois de muito tentar e já sem esperanças de conseguir um trabalho, finalmente aceitaram o currículo de Juvino em um grande hotel. Aliviado com a notícia, foi até o hotel para ocupar o cargo de recepcionista, para o qual havia concorrido. Porém, ao chegar lá, Juvino foi surpreendido com a fala do diretor do hotel:
- Filho, te chamei aqui, porque estamos precisando de servintes. O emprego de recepcionista já foi ocupado por alguém que fala mais... mais... mais certo, sabe? Como gostei muito de você, do seu senso de humor, da sua comunicatividade, te chamei para ver se você estava interessado, antes de