Resenha a maquina
MOSCOVICI, Serge. A máquina de fazer deuses. Rio de Janeiro: Imago, 1990.
Moscovici (1990) desenvolve sua análise focalizando, sobretudo, a associação entre as causas psíquicas e sociais dos fenômenos, procurando superar a limitação do seu entendimento a fatores sociais e econômicos. A pergunta subliminar de toda procura de conhecimento é, para o homem, sua origem, seu ser, sua finalidade. As respostas a essas indagações e a conseqüente aproximação dos fatos da realidade fazem com que o pesquisador assuma duas faces: a da raposa, que observa com sagacidade, e a do ouriço, que instiga e incomoda. No movimento do estado individual ao coletivo integram-se, interagem e alternam-se os modos, as visões e as vivências. Passa a existir, portanto, um "modo coletivo" de ser. Esses argumentos, em favor da Psicossociologia, destacam-se no segmento "Introdução - Problema". A essa introdução segue-se o Capítulo
I, com o título: "A máquina de fazer deuses". E Moscovici (1990) então afirma: "esta máquina é a sociedade. Esta máquina move-se pelo poder de interinfluência, pelos contratos que se estabelecem, pelas trocas, negociações, sem esquecer a alta, tangível e forte coação que existe à medida que o indivíduo resiste a posições ou imposições do grupo. O que caracteriza, em verdade, a coação é o "dever". O principal é que as relações entre os homens sejam definidas pelo sentido que eles dão às fórmulas "você deve" e "eu devo" e pelos objetos aos quais se aplicam. Essas "fórmulas" é que expressam na sociedade uma "cria-ção moral" (p.37). Entretanto, a "força coercitiva" posta em prática sobre nós é permitida e, portanto, tem origem em nós mesmos. No bojo dessa "condição" interior, inclui-se, também, a questão do sagrado (da religião) e do profano,
R. bras. Est. pedag., Brasilia, v.77, n.187, p.603-613, set./dez. 1996
discutida fundamentalmente por Durkheim. A partir dessas questões refletidas por Durkheim, Moscovici (1990) chega aos ritos que