Resenha - Guerra de Orixás
Yvonne Maggie é professora titular do Departamento de Antropologia Cultural do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. Entre suas principais obras está ‘Guerra de Orixá - Um estudo de ritual e conflito’, lançado na década de 70, cujo capítulo IV é objeto dessa resenha. O livro é a etnografia de um terreiro de Um-banda que sofre uma ruptura.
Já no início do texto, Yvonne Maggie delimita seu campo em apenas um terreiro, por não estar tratando do que chama de 'religião de Igreja'. Isto é, a Umbanda é uma religião que não tem uma hierarquia oficial e centralizada, como é a Católica ao redor do Papa. No caso da Umbanda os terreiros são independentes, homem algum é a autoridade universal para a religião. Ela encontrou, no mesmo terreiro, grandes diferenças entre os participantes dos rituais. Desde diferenças sociais ate diferenças ideológicas sobre a Umbanda, o que mostra que é uma religião que se desenvolve mais no campo individual do que em coletivo. Ainda delimitando o terreiro, a autora mostra que não é formado simplesmente por um espaço físico, mas também por relações que são de grande importância para a estabilidade do lugar. Relações entre o pai e a mãe de santo e os médiuns, por exemplo, formam hierarquias religiosas que afetam, inclusive, os rituais.
O terreiro é uma área que conecta os homens com as entidades. Pode ser visto como uma forma de manter o controle do ritual, ou de limitar a uma área especifi-ca e à presença daquelas pessoas especificas. Outra forma de manter o controle do rito seria a separação entre a 'sala do gongá' e 'sala da assistência', ou seja, espaço dos médiuns e espaço dos clientes. O espaço do gongá e sala da assis-tência se diferem também pelo comportamento específico que se espera à frente do gongá. Deve-se tirar os sapatos e nunca dar as costas para o gongá, por exemplo, enquanto se está dentro da sala. Para definir ritual, ela usa o que Victor Turner define em 'O Processo Ritual' e Mary Douglas em