OS PRINCIPAIS CONFLITOS ÉTNICO-NACIONALISTAS NA EUROPA
Os conflitos no centro e leste da Europa estão relacionados aos fins dos governos socialistas de cunho centralizador e autoritário, os quais foram implantados em diversos países dessa região após a Segunda Guerra Mundial. No entanto, a história da diversidade e dos conflitos étnicos na região é antiga. Ela resulta da expansão dos império Russo, Otomano e Austro-Húngaro, e da decomposição desses últimos entre o final do século XlX e as duas primeiras décadas do século XX. Esses impérios controlaram diversas nações - praticamente as mesmas que foram submetidas aos regimes comunistas do pós-guerra. Os conflitos nacionalistas também estão relacionados, muitas vezes, à falta de perspectivas de melhoria das condições de vida da população mais atingida pelas más condições socioeconômicas de determinado país. Soma-se, a tudo isso, o sentimento nacionalista - a vontade de ver os símbolos da nação não mais submetidos a outro poder. Esse sentimento, apesar de ser um elemento aglutinador, de criar laços de solidariedade, pode ser facilmente manipulado por líderes inescrupulosos.
CONFLITO NOS BÁLCÃS: ESFACELAMENTO DA IUGOSLÁVIA
Um acirramento espetacular de identidades civilizacionais ocorreu na Bósnia, especialmente em sua comunidade muçulmana. Historicamente, sérvios, croatas e muçulmanos viviam juntos pacificamente como vizinhos, eram comuns os casamentos entre eles, as identificações religiosas eram tênues.
Dizia-se que os muçulmanos eram bósnios que não iam à mesquita, os croatas eram bósnios que não iam à catedral e os sérvios eram bósnios que não iam à igreja ortodoxa.
Quando a identidade iugoslava se desfez, as identificações religiosas intensificaram-se. O multi comunitarismo se evaporou e cada grupo definiu-se em termos religiosos.
Os sérvios da Bósnia se identificaram com a Grande Sérvia, a Igreja Ortodoxa Sérvia e toda a comunidade eslava ortodoxa. Os croatas da Bósnia passaram a ser