contos na educação infantil
Curso Estudos Africanos
2009
A Interculturalidade como Estratégia de Desenvolvimento
Paulo Alves Pereira
Multicultural é, sem dúvida um dos poucos conceitos do debate sobre as migrações, que encontrou maior popularidade e utilização na linguagem comum. Por um lado, é-nos apresentada uma ideia da sociedade multicultural como uma imagem colorida tipo United Colors, da geração Come-together, que cavaqueia alegremente entre si na Internet e dissolve todos os conflitos e fronteiras, entre pobres e ricos, jovens e velhos, entre autóctones e migrantes, numa grande roda etnomusical. Por outro, é-nos sugerida a contra-imagem, pintada com cores bastante sinistras. Num cenário adequado, discute-se sobre “a sociedade multicriminal e cruzada racialmente”, tentando-se vender a ideia de que a guerra entre culturas, sobretudo entre o Islão e a Cristandade, tem por base o carácter inconciliável de diferentes universos culturais.
Visões deste género sobre a sociedade multicultural, entendidas como um cenário pleno de esperanças, ou como algo ameaçadoramente tétrico, indiciam que o conceito de sociedade multicultural não é muito preciso e está ideologicamente sobrecarregado. Nesse sentido, chegamos à conclusão de que os fundamentos, assim como as implicações políticas carecem ainda de alguma clarificação.
Como se constituiu o discurso sobre a Sociedade Multicultural?
O fenómeno do multiculturalismo surgiu nos finais dos anos 70, do século passado, em países com um nível social desenvolvido (entre outros a Suécia, o Canadá, a Alemanha, a Austrália, a Nova Zelândia e a Holanda e, de alguma forma, Inglaterra e parte dos Estados Unidos), como forma de lidar com a diversidade cultural trazida pelos imigrantes e seus filhos para a escola, para as zonas residenciais e para o mercado de trabalho1.
A utilização do conceito teve, sobretudo inicialmente, uma função estratégico-política. O discurso da sociedade