Consumismo Um Quadro Cultural E De Comportamento Social
É sabido que, durante as últimas décadas, o estilo de vida dos países ocidentais (e não só) vinha sendo dominado pelo “consumismo”. Trata-se de um estilo de vida impróprio e insustentável (estima-se que para que toda a população mundial usufruísse de um estilo de vida equivalente ao dos Estados Unidos da América, seriam precisos seis planetas Terra).
Consumismo não é apenas uma prática de esbanjamento do dinheiro que se tem e que se não tem, em coisas mais do que supérfluas mas que se apresentam como necessárias ao nosso modelo de felicidade. É também isso, mas é sobretudo um quadro cultural e de comportamento social. Por vezes, acontece que, por mais que tenhamos, a felicidade parece depender precisamente do que ainda não temos.
E assim nasce uma cadeia interminável, movida por desejos insaciáveis: por um lado, o de quem não tem tempo para dar conta de que a felicidade humana está noutra direção e assenta em outras realidades e valores; por outro, a ganância dos bancos, de outras instituições de crédito e do comércio, que estimulam ou aliciam as famílias ao recurso ao crédito fácil ao consumo.
Uma parte desse crédito é certamente utilizado em bens necessários, mas outra será gasta em bens “impostos” pela cultura consumista, que, no limite, pode transformar-se no verdadeiro móbil da própria atividade humana.
É facto que, no conjunto e em termos globais, as sociedades em crise gastaram mais do que tinham, e isso aconteceu com os Estados, com as empresas e com algumas famílias que, estimuladas pelo crédito fácil, também ultrapassaram as suas possibilidades, endividando-se para além dos limites aceitáveis. Isto aconteceu, repito, com a sociedade considerada no seu todo. Sabemos, no entanto, que muitas famílias levavam vidas ajustadas aos meios de que dispunham e que outras viviam mesmo abaixo do limiar de pobreza.
Se é que a crise pode servir como oportunidade positiva, creio que deverá, além do mais, ser