ARTICULACOES DO PSICODRAMA COM A PSICOLOGIA ANALITICA O PROCESSO DE INDIVIDUACAO EM CENA NO NOSSO TEMPO
Articulações do Psicodrama com a Psicologia Analítica: o processo de individuação em cena no nosso tempo.
Neste ensaio, discorremos inicialmente sobre alguns caminhos que aproximam duas abordagens, ou seja, o Psicodrama de J. L. Moreno e a Psicologia Analítica de C. G. Jung. Pensamos esta articulação como a possibilidade de um trabalho psicodramático com o tema do processo de individuação no nosso tempo, articulando e dialogando com estas duas abordagens.
Para Jung, o processo de individuação seria o processo de realização do Self1, que passaria inicialmente pelo enfrentamento das nossas sombras2 pessoais e coletivas, pelo reconhecimento de nossa contraparte masculina (animus) ou feminina (anima), ou seja, pela integração das nossas oposições e contradições internas. Através deste processo, o ser humano deixaria de ser um ente coletivo indiferenciado e começaria a se transformar em um indivíduo único e coeso. No final deste processo, o indivíduo se tornaria ao mesmo tempo mais próximo deste Si Mesmo e mais em sincronia com o seu tempo, com a humanidade, com o cosmo.
Mas, no tempo em que vivemos, o que será do processo de individuação numa sociedade que concentra mais valor nos números, na tecnologia e nas massas do que no indivíduo? Quando o mundo contemporâneo apresenta exigências à personalidade, onde o que é legítimo e valorizado se contrapõe às demandas do Self, ao seu tempo específico – composto por Cronos, tempo cronológico, dos relógios e, sobretudo por Kairós, o tempo oportuno, existencial e subjetivo?
O processo de desenvolvimento do indivíduo-em-ação no século XXI está sofrendo a tendência à massificação globalizante, onde as relações estão sendo liquefeitas, robotizadas, desumanizadas. Para além do ser que busca a realização do seu Self, que precisa se localizar e se encontrar com as questões do seu tempo, nos encontramos com forças e movimentos de