Os brasileiros, marcam certos espaços como lugares especiais, como a casa, onde moramos, comemos e dormimos, a rua, onde trabalhamos e ganhos a luta pela vida, junto com esses, devemos somar outro referencial, não menos importante, o outro mundo, onde vivem os mortos, fantasmas, almas, santos, orixás, Jesus Cristo entre outros, esse lugar que é representado pelas Igrejas, terreiros, capelas, templos, cemitérios, etc,. Se em casa e na rua utilizamos o indioma do mundo, do dinheiro, no mundo da religião, estamos mais interessados em conversar com Deus, com os santos, e com todas as outras entidades existentes, aqui o modo de relacionamento é diferente, em vez de discursar, rezamos, súplicamos, pedimos, aqui usamos nossa humildade, mostramos o nosso interior, através de rezas e preces. Existem várias formas de conversamos com Deus, algumas são de forma solitária e outras em conjunto. Seria possível dizer que algumas formas de reza são mais fortes ou mais fracas que outras, as fortes seriam as coletivas, pois assim teriam mais sentimentos envolvidos, e a mais fraca seria as rezas solitárias. Porque falamos com Deus? há várias explicações sociológicas um delas seria um modo de permitir uma relação globalizada não só com os deuses, mas também com todos os homens e com os seres vivos que formam o nosso mundo. Somos um povo que acredita profundamente na existencia de um outro mundo. Nesse outro mundo, tudo pode, tudo faz sentido, lá não haveria sofrimento, poder, miséria, todos seriam reconhecidos como pessoas, existiriam leis universais, como a lei da generosidade e a do eterno retorno: quem dá recebe e quem faz algum mal recebe de volta esse mal – todos teriam valor, porque o valor seria dado na fé e na sinceridade de cada um e de todos.