antropologia da religião
João Inácio Kolling
I – NOÇÕES GERAIS
Antropologia, como ciência, existe há poucos séculos, mas, como inquietação que desperta estudos e observações do agir humano, já é milenar. Ao lado de muitas outras ciências que se ocupam com o estudo do complexo sistema da vida humana, a Antropologia apresenta uma peculiaridade: quer estudar o ser humano no seu “todo”, isto é, estudar o que os seres humanos produzem na sua globalidade, ou seja, tudo o que envolve a cultura humana.
Sabemos que, ao lado de tantos outros seres humanos, captamos e produzimos cultura, arte, pensamento, poesia, folclore, ciência, tradições, leis e tantas outras coisas, mas somos, simultaneamente, afetados por estas variadas produções humanas. Podemos, pois, definir a multiplicidade de inventos, criações e descobertas, ao lado de todos os avanços da humanidade, como equivalentes ou como expressão do que chamamos de cultura.
Portanto, estudar Antropologia significa ocupar-se com a procura do entendimento de povos, de grupos humanos específicos, mas, também da humanidade como um “todo”. Tal estudo pode ser feito sobre aspectos biológicos, físicos, sociais, culturais e até filosóficos, quando estes procuram entender racionalmente os seres humanos, tanto pelo que são, quanto pelo que fazem.
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II
RELAÇÃO ENTRE ANTROPOLOGIA E RELIGIÃO
A relação da Antropologia Cultural com a Religião está em que cultura afeta a religião e, simultaneamente, concepções teológico-religiosas afetam dimensões da cultura. Entretanto, quando nos referimos à cultura encontramos certa dificuldade, porque esta pode ser estudada sob muitas sub-áreas do conhecimento antropológico, tais como Paleontologia, que se ocupa como o estudo das origens e da evolução humana; a Somatologia ou Antropologia Física, que estuda as diferenças físicas, sexuais e outros traços como sanguíneos, além de outras variedades dos seres humanos; Arqueologia, que estuda objetos de culturas passadas;