Academico
No Brasil, assim como em outros países latino-americanos, as leis cooperativistas foram criadas a partir da incorporação do modelo europeu, ou seja, dos Pioneiros de Rochdale a partir das orientações da Associação Cooperativista Internacional – ACI, com o objetivo de desenvolver e modernizar o processo de produção agrícola no país. O cooperativismo foi implementado a partir de um decreto em 1932 e transformado em lei em 1971, de modo autoritário, com controle e intervenção do Estado e voltado essencialmente para a exploração agrícola em moldes de empresa agro-exportadora. A partir do final dos anos 80, se iniciou uma nova etapa da história do cooperativismo no Brasil, iniciando-se uma ampliação e uma diversificação das atividades cooperativas sem precedentes. Em decorrência da reconcentração do capital industrial e financeiro, acompanhado do processo acelerado de renovação tecnológica e de reorganização do trabalho, a mão-de-obra desempregada passa a ser apropriada por iniciativas que, freqüentemente, estão à margem da lógica mercantil e do trabalho formal. Atividades de produção artesanal, domiciliar ou ainda, de venda de produtos no mercado informal demonstram que a exploração do trabalho ocorre de modo brutal: condições precárias de trabalho, extensão da jornada, intensificação do trabalho e remuneração que não ultrapassa os limites mínimos de subsistência. A não obrigatoriedade do vínculo empregatício, entre as cooperativas e os tomadores de seus serviços, apropriada no meio empresarial como mais um mecanismo de exploração do trabalho, contribuiu para a criação, no país, de um contingente amplo de “falsas cooperativas”. As mudanças legais estabelecidas num contexto de abertura política no Brasil deram o incentivo necessário à formação de cooperativas constituindo por um lado, um movimento que tem fortalecido a organização autônoma dos trabalhadores,