Ética e mundo do trabalho
A Revolução Industrial glorificou o trabalho e erigiu uma ética no seu entorno
Durante muito tempo o trabalho ocupou um lugar central na organização social. De acordo com Hannah Arendt, “a ascensão repentina espetacular, do trabalho, passando do último lugar, da situação mais desprezada, ao lugar de honra e tornando-se a mais considerada das atividades humanas, começou quando Locke descobriu no trabalho a fonte de toda propriedade; prosseguiu quando Adam Smith afirmou que o trabalho é a fonte de toda riqueza; atingiu seu ponto culminante no ‘sistema de trabalho’ de Marx, em que o trabalho se tornou a fonte de toda produtividade e a expressão da própria humanidade e do homem”(). A era moderna – entenda-se o advento da Revolução Industrial - trouxe consigo a glorificação teórica do trabalho, e resultou na transformação efetiva de toda a sociedade em uma sociedade operária, é a aguda intuição da filósofa.
Max Weber, em sua obra clássica A ética protestante e o espírito do capitalismo(), comenta que o capitalismo propiciado pela Revolução Industrial tinha em sua base o trabalho, que vinculado ao ascetismo secular do protestantismo, liberou moral e eticamente os homens à aquisição de bens, à obtenção do lucro, à cobrança de juros e à acumulação de capital. Esse ethos, exortava que a acumulação do capital acumulado deveria ser reinvestido em novos empreendimentos que gerassem mais empregos. Este círculo virtuoso – trabalhar, acumular e reinvestir – permitia o estabelecimento da harmonia social. Foi esse o ethos que fomentou a atividade capitalista durante séculos e originou uma ‘ética do trabalho’ específica.
A ‘velha ética’ do trabalho
Algumas características subjacentes a essa ‘ética do trabalho’, forjada durante aproximadamente dois séculos, poderiam ser sintetizadas a partir dos seguintes aspectos:
Primeiro, o trabalho é o elemento central que permeia o conjunto das instituições. As pessoas tentavam provar o seu valor pelo seu