A Odontologia no Brasil, por um longo período, destacou-se pela prática mercantilista e mutiladora, com caráter elitista e voltado para o setor privado, inclusive reproduzindo estas características no setor público. A definição de saúde que consta no relatório da VIII Conferência Nacional de Saúde relata que a saúde não é meramente a ausência de doença, mas resultante de uma complexidade de determinantes, sobretudo sociais. Esta definição serviu de apoio para a elaboração da legislação referente à saúde e ao Sistema Único de Saúde (SUS) presente na Constituição de 1988 e na lei orgânica da saúde (Lei 8.080/90), que afirma que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Em 1991, foi criado o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) como modo de aumentar a cobertura da atenção básica no país e reorganizar o serviço. Posteriormente com a introdução de profissionais de nível superior (médico e enfermeira) foi constituído o Programa de Saúde da Família (PSF). Contudo, o cirurgiãodentista só foi incorporado à Equipe de Saúde da Família em 2000, através da Portaria GM nº 1.444. A incorporação das equipes de saúde bucal às equipes de saúde da família tem como objetivo ampliar as medidas preventivas, garantir os investimentos na área curativa e ampliar o acesso da população às ações em saúde bucal, contribuindo para a promoção de saúde dentro da comunidade. O objetivo desta revisão de literatura é apresentar um breve contexto históricopolítico que culminou com a elaboração das estratégias para ampliação das ações em saúde bucal no Brasil. Neste trabalho, busca-se também discorrer acerca de fatores essenciais para a implementação da Equipe de Saúde Bucal e da Política de Saúde Bucal como o conhecimento do território em que se trabalha, do uso de indicadores epidemiológicos, planejamento local e utilização de um sistema de informação. Deste modo, torna-se possível a modificação de uma situação de saúde adversa através do enfrentamento dos principais problemas de