A grelina
Foto: Neldo Cantanti
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A grelina e os paradoxos da obesidade
Estudo da Unicamp desmistifica a substância e derruba a tese de que ela seria uma das causas da obesidade
Um paciente que se submete à cirurgia, sofre modificação no posicionamento do seu estômago, que recebe menos alimentos. Mais do que o emagrecimento que provoca, diminui a produção de grelina. Por isso, o obeso emagrece e passa a sentir menos fome. Esta afirmação é mostrada em estudo da publicação The New England Journal of Medicine. O pesquisador David Cummings, no mesmo periódico, enfatiza que as células de grelina “dormem”, quando privadas do contato com nutrientes ingeridos. “Esta descoberta ajudará a desenvolver drogas mais eficazes”, conta. A Unicamp atualmente realiza dois tipos de cirurgia antiobesidade: de derivação gastrojejunal, que reduz o tamanho do estômago e faz conexão deste com as porções mais distantes do intestino delgado; e a de Scopinaro, que diminui um pouco o estômago, mas provoca uma significativa redução na absorção de alimentos, em especial da gordura.
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ISABEL GARDENAL bel@unicamp.br
S
ubstância que engorda, faz crescer e cuja falta tira o apetite. Não se trata de uma charada, mas estas pistas ilustram um mesmo caso: a descoberta da grelina por pesquisadores japoneses, em 1999, que vem a ser o pivô para o conhecimento da etiologia da obesidade – acúmulo de tecido adiposo (gordura), levando a um aumento de peso superior a 25% do considerado normal. No ano passado, essa substância, produzida pelos neurônios e principalmente pelo estômago, foi revelada por cientistas britânicos como o fator que estimula o apetite. Com as novas descobertas, o Grupo de Cirurgia de Obesidade da Unicamp adiantou-se em analisar o assunto, que ainda persistia com a dúvida: se a substância induz à fome, o obeso produz muita