Trabalho transtornos alimentares
DESENVOLVIMENTO
Na maioria dos casos, o corpo da criança é silencioso: a criança goza da boa saúde. Como diz o cirurgião Leriche, ''a saúde é o silêncio dos orgãos''. Brutalmente, na adolescência, o corpo faz ''barulho''. São esses barulhos que o adolescente nos dá a entender sob forma de queixas somáticas diversas: dor de barriga, dor nas costas, no joelho, ou de múltiplas inquietações de tipo hipocondríaco... barulhos do crescimento para os quais se consultam os médicos somáticos. Não é surpreendente que o corpo represente um papel central na adolescência, tanto nos registros das interações concretas com o entorno quanto no registro da atividade fantasmática. O corpo está no centro da maior parte dos conflitos na adolescência. Um estudo do INSERM (Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Medicina), diz que entre 11-20 anos os adolescentes escolarizados de maneira geral, 12,5% dos meninos e 37,3% das meninas se diziam excessivamente preocupados com o peso. Tanto é que vemos que nos trabalhos ou artigos em relação a adolescência, é raro não encontrar alguma referência ao corpo. No que se refere ao estudo das questões relativas à imagem corporal, a adolescência tem se destacado como alvo de pesquisas, por constituir uma fase de intensas modificações corporais e conflitos psíquicos.
A imagem corporal remete, de algum modo, ao sentido das imagens corporais que circulam na comunidade e se constroem a partir dos diversos relacionamentos que ali se estabelecem, seja pela proximidade, seja pela distância emocional que aquela imagem proporciona. Ou seja, em qualquer grupo existe sempre uma imagem social do corpo, e por isso mesmo