Saúde Mental dos Funcionários Públicos
"O poder é um exercício de atordoamento, uma preocupação contra a ociosidade e suas angústias" Pascal
O que dizer de verdadeiramente importante num breve e ligeiro artigo sobre uma temática que envolve dois dos mais reverenciados tabus dentro da sociedade brasileira: o funcionalismo público e a saúde mental? E, ainda mais, quando as fontes disponíveis sobre o assunto em questão são praticamente inexistentes ou, então, não tão dignas de honorabilidade?
Como a ideia fundamental é apenas trazer para discussão o problema relacional TRABALHO versus SAÚDE MENTAL e colocar em evidência as dificuldades mais graves que os funcionários públicos vêm sofrendo dentro de seus locais de trabalho, não me resta outra alternativa senão valer-me, para estas considerações, por um lado, de minha experiência como psicoterapeuta no interior de uma instituição pública federal, e por outro, da escassa literatura pertinente que dispomos. Espero que os leitores, acostumados a um maior rigor cientifico, me permitam, pelo menos por esta vez, valer-me de uma linguagem, digamos, jornalística, para tratar de tema tão relevante.
A relação entre trabalho e transtornos mentais, ou entre trabalho e sofrimento psíquico (trabalho em geral), é um assunto que, se até pouco tempo era mantido em sigilo no mundo inteiro, agora começa a ser discutido e encarado, mesmo com todas as dificuldades que a discussão da saúde mental sempre teve que enfrentar. Apesar do número de funcionários que sofrem de transtornos mentais e de doenças psicossomáticas visivelmente relacionadas à organização do trabalho ser imenso, na verdade, ainda existe um preconceito enorme dentro das instituições em se falar e em se tratar de assuntos relacionados à saúde mental.
Com medo de serem rotuladas de "loucas" por um psicólogo, por um psiquiatra ou pelos próprios colegas, as pessoas, mesmo as já conscientes de seus conflitos, investem tudo na sua dissimulação