Saneamento e saúde no brasil
Mário Jorge Cardoso de Mendonça* Ronaldo Seroa da Motta**
Foi significativa ao longo das últimas duas décadas, no Brasil, a redução da mortalidade infantil associada às doenças de veiculação hídrica. Usando um modelo de estrutura epidemiológica, nosso estudo demonstra que essa redução foi alcançada com a melhoria na cobertura dos serviços de saneamento e também devido ao acesso aos serviços de educação e saúde. Com base nos resultados econométricos estimamos, para cada tipo de serviço, o custo médio de salvar uma vida. Considerando-se esses custos, a contínua redução do analfabetismo garante a alternativa mais barata para baixar mais ainda a incidência desse tipo de mortalidade. Por outro lado, gastos defensivos de saúde apresentam custos quase equivalentes aos respectivos custos relacionados com a expansão dos serviços de saneamento, quando se trata da mesma magnitude de redução dessa taxa de mortalidade.
1 introdUÇÃo
A importância dos serviços da água tratada e de esgoto na saúde das pessoas e no seu bem-estar é vastamente reconhecida. Os serviços de saneamento básico são essenciais à vida, com fortes impactos sobre a saúde da população e o meio ambiente. Se entendermos a demanda por saneamento básico como uma demanda por insumos que melhoram a qualidade de vida do indivíduo, teremos uma ampla literatura que trabalha com esse tema (Leibowitz; Friedman, 1979; nocera; zweiFeL, 1998, inter alia). Mais recentemente, Person (2002) analisou as implicações sobre o bem-estar geradas por mudanças nos preços de insumos dos serviços de saneamento enquanto Jalan e Ravallion (2003) analisaram o impacto sobre a saúde na infância no meio rural indiano. Parte da população brasileira reside em locais onde as condições de saneamento ainda são precárias. Devido à falta de saneamento e às condições mínimas de higiene, a população fica sujeita a diversos tipos de enfermidades. A literatura sobre saúde indica claramente que a falta de condições