Resenha Gilberto Freyre
Era grande a tensão vivida pelo Brasil durante as décadas de 1930 e 1940. A produção historiográfica brasileira, devido àquele momento, ansiava em responder que Brasil era aquele vivido pelos autores. Concomitantemente mostra-se também a questão do futuro da nação, transparecendo uma historiografia fortemente marcada pelo movimento modernista.
Nesse período produzem-se obras historiografias que tinham em seu âmago a realização de um “redescobrimento” do Brasil, com a revisão de características relacionadas à formação da situação atual do país. O movimento antropofágico modernista ainda era recente e o contexto sociopolítico marcado por crises, protestos, pela ascensão do governo de Getúlio Vargas por meio do Golpe de 1930 e por mudanças nos ambientes urbanos, econômicos, culturais e acadêmicos. Sendo assim, os historiadores da época buscavam novas formas de interpretar seu próprio presente, um tanto incerto, privilegiando no caso de Freyre elementos sociais, em Prado Jr elementos econômicos e em Holanda aspectos culturais.
Gilberto Freyre nasceu em Recife em 1900 e publicou em 1933 sua obra mais conhecida: Casa Grande & Senzala. Composta por diversos ensaios, a obra preocupa-se mais com análise e subjetividade de seu autor do que com um rigor metodológico. Freyre envolve-se intensamente com seu texto e obra, se afastando um pouco das correntes modernistas que estavam em destaque no estado de São Paulo e dialogando mais com uma vertente regionalista da literatura nordestina, mais preocupada com a sustentação da ordem do Estado e com a identidade nacional.
O autor formula a ideia de que no Brasil escravista existia um equilíbrio entre os diversos grupos raciais aqui reunidos, se influenciando mutuamente e criando oposições absolutas e irrevogáveis. O desenvolvimento da cultura brasileira para estaria ancorado na miscigenação possibilitada graças a uma sociedade patriarcal. Ou seja, os grupos conseguiam dialogar e misturar