Psicoterapia de casal
Perspectivas americanas e inglesas Foi um pouco antes da década de 40 que alguns psicanalistas americanos deram início ao trabalho de atendimento a casais. Clarence Oberndorf foi quem elaborou o primeiro relatório sobre a psicanálise de casais, nele o autor apresentou a ideia de que o casal deveria ser tratado juntos devido a suas neuroses estarem interligadas (Nichols e Schwartz apud Gomes; Levy 2009). Nas décadas de quarenta e cinquenta, em Polo Alto- Califórnia, embora inicialmente trabalhasse com a psicanálise individual, tornou-se um referencial de atendimento de casais a partir da “Abordagem Sistêmica, que encara a família como um conjunto homeostático, ou que busca a homeostase entre seus membros, transformando a noção de patologia familiar em disfunção familiar” (Gomes; Levy 2009 p.2). Em Londres no final década de quarenta, baseados na teoria das relações objetais de Klein, a Tavistock Clinic, nasce a psicanálise de casais. Analistas com formação individual formaram um centro de atendimento denominado Tavistock Institute of Marital Studies (TIMS) em que tentaram aplicar tais conceitos no trabalho com casais. Esse centro funciona até hoje formando psicoterapeutas clínicos e pesquisadores de família e casal. Enid Balint foi a pioneira no trabalho com casais na Tavistock Clinic, no Departamento de Estudo de Famílias, e marcou a época com suas experiências inovadoras com casais. A autora analisava a relação do casal dentro da esfera familiar e as influências que teriam sobre eles, no entanto fazia uma análise apenas dos cônjuges (Gomes; Levy 2009). A produção científica na instituição TIMS foi muito importante, sendo alguns nomes lembrados até hoje, entre eles estão Pincus e Dare (1978) que realizaram estudos de fundamentação da prática clínica com casais, esses estudos “revelavam um profundo interesse na trama inconsciente dos sentimentos, desejos, crenças e expectativas que unem os membros de uma família entre si, enfatizando os efeitos dos