psicologia
Estamira, 63 anos. Vive no lixão do Rio de Janeiro, Jardim Gramacho, ao qual demonstra apego e afeto “eu nunca tive sorte na vida, a única sorte que eu tive, foi conhecer o Jardim Gramacho”. Abusada sexualmente na infância e na idade adulta, lembra com magoa o passado e do avô abusador “ ele é estuprador, ele estuprou a minha mãe e fez coisas comigo também. A minha depressão é imensa, a minha depressão não tem cura.” Foi levada pelo “pai da mãe”, como ela se refere, a prostituição aos 12 anos. Casada e separada duas vezes. Sofreu muito, segundo a filha, nos dois casamentos. Principalmente no episodio em que ela interna a mãe em hospício, forçada pelo ex marido - “o que eu mais sinto falta na vida é minha mãe. O que eu mais lembro na minha vida, minuto por minuto, é minha mãe.” Mãe e avó, Estamira, segundo informação da filha, levava uma vida “normal” - considerava os momentos difíceis da vida como “provações”, e depositava sua esperança de melhoras em deus - até sofrer o segundo estupro, onde ao clamar por deus tem como resposta do estuprador “que Deus?” A partir deste episódio, Estamira desacredita em Deus, e se revolta contra ele, deixando claro em discurso delirante, porém bem elaborado, que a culpa é Dele, de deus, “o trocadilo.”
Estamira, segundo diagnóstico anterior, é portadora de quadro psicótico de evolução crônica; alucinações auditivas; idéias de influência, discurso místico, tratamento psiquiátrico continuando.
AVALIAÇÃO PSIQUIATRA
Descrição Geral: Aparência desarrumada. Evidencia-se negligencia a si mesma. Geralmente percebem-se os olhos arregalados, pele suada, porém mais freqüentes em momentos de surto.
Humor e Afeto: Geralmente, expressão dos sentimentos condiz com o pensamento, o que nos faz perceber momentos de consciência na paciente, e até mesmo consciência da sua perturbação mental, "Sou louca, sou doída, sou maluca, sou 'avogada', sou essas quatro coisas, mas sou lúcida e ciente sentimentalmente." - apesar