Produção de textos - para quem escrever: o interlocutor em questão
Pós-Graduação em Teoria da Literatura e Produção de Texto
Área Letras
Data de inicio – 12/02/2011
PRODUÇÃO DE TEXTOS - Para quem escrever: o interlocutor em questão[1]
João Carlos dos Santos[2]
RESUMO
O presente artigo analisa as atividades de produção textual apresentadas no livro didático “Tudo é Linguagem” (BORGATTO, BERTIN, MARCHEZI, 2006), promovendo, assim, uma reflexão sobre a importância do interlocutor nos comandos de produção escrita. O objetivo deste trabalho foi verificar e discutir se esses comandos de produção escrita do livro didático apresentam um interlocutor, já que a ausência de indicação de um destinatário é um fator que contribui para a dificuldade na produção escrita. Os resultados da análise demonstram que o educando continua a produzir textos para a escola e para o professor, visto que os comandos não propõem um referencial real e uma finalidade social para o texto.
Palavras–chave: produção escrita – livro didático – interlocutor.
1 INTRODUÇÃO
Existe um grande obstáculo a ser vencido pelos professores em relação à produção escrita. O que se percebe é que os alunos não estão sendo motivados para tal atividade e, quando produzem um texto, não têm noção da função sociocomunicativa da escrita, das relações estabelecidas entre autor e interlocutor. Assim, na prática em sala de aula, percebe-se que o aluno continua produzindo textos para a escola. Nessa situação, o ato de escrever é irreal, tem como único interlocutor o professor e, dessa forma, ao invés de se preocupar em estabelecer uma relação clara com seu leitor, ele acaba por prender-se a regras de estrutura textual e gramaticais, pois sabe que seu leitor atua somente como corretor. Isso tudo acaba fazendo com que o resultado do texto seja contrário ao desejado pelo próprio autor e pelo professor, o qual espera que seu aluno produza um texto claro, objetivo e