Platão e as faces do amor
Este artigo tem por objetivo abordar a problemática acerca do Amor na filosofia de Platão, tendo por base as obras: O Banquete, Lísis e Fedro ou da Beleza. Tal tema suscita grande inquietação visto que, ao acenar para ele, Platão demonstra através dos diálogos de Sócrates com seus discípulos um grande conhecimento do comportamento humano, de sua alma, seus desejos e acima de tudo, do funcionamento do pensamento do homem grego.
A obra O Banquete se inicia como sendo apenas mais um dos diálogos platônicos, no entanto, no decorrer da obra mostra-se o pilar da filosofia platônica, pois alcança todos os eixos de sua filosofia interligando-os em um único objetivo: chegar ao conhecimento, à verdade das coisas. A obsessão pela verdade é algo claro tanto em Sócrates como em Platão em todos estes diálogos. O interlúdio começa com uma reunião na casa de Agatão e nesta, decidem tratar do tema em questão. Os convivas são: Fedro, Aristodemo, Pausânias, Erixímaco, Aristófanes, Agatão e Sócrates. Cada qual tem a chance de fazer um discurso, um elogio ao amor. O interessante é observar os diferentes ângulos com que cada um aborda e o tema e com isso, acabam por demonstrar não só as faces do amor diante do olhar humano, mas a partir disso, os personagens desvelam também seus caráteres, seus valores e como se movem na sociedade em que estão inseridos.
Fedro trata do amor de forma unilateral, o concebe como uma dádiva divina, onde o amante tem primaz importância sobre o amado, sendo mais agraciado pelos deuses por amar indulgentemente. Em outras palavras, somente o amante é capaz de tudo pelo objeto de seu amor. Aqui aparece um primeiro ponto de dúvida: o amor humano (levado pelas paixões) é capaz de tudo para saciar seus desejos e conseguir o que quer do amante? Até que ponto tem-se amor ou mero interesse pelas vantagens que se pode tirar do amado? Amor ou simples troca de conveniências (o que é útil para o outro)?
“Na realidade, os