Pensamento de Japiassu
O pensamento central de Japiassu é o de que as ciências humanas não devem ser pautadas pelas ciências naturais. O argumento fundamental desse pensamento é que as ciências naturais (ciências duras) são objetivas e buscam uma resposta universal para suas perguntas, ao passo que as ciências humanas exigem uma subjetividade que é inerente ao ser humano, apresentando assim uma multiplicidade de discursos sobre esse mesmo objeto de estudo (o homem). Esse posicionamento é imprescindível para que haja o desenvolvimento no campo das ciências humanas pois, ao serem pautadas pelas ciências naturais, acabam se afastando da realidade, portanto, do verdadeiro conhecimento. É impossível universalizar o ser humano, assim como é impossível estudar um “homem-total”. O que caracteriza as ciências humanas é justamente essa variedade de perspectivas, esse é o verdadeiro cerne da pesquisa nesse campo: buscar conhecer a subjetividade e as peculiaridades dos indivíduos e das sociedades para cada vez mais compreendermos a realidade humana e, assim, melhorá-la. Também seguindo a linha de pensamento do autor, não se deve descartar o que mítico e “irracional”, afinal é daí que ocorre estopim do questionamento para que se siga a pesquisa. Deve haver uma coexistência entre a subjetividade humana e os ideais racionalistas científicos, ambas não são excludentes, mesmo que não sejam passíveis de fusão. Japiassu sugere que a filosofia, a razão e o pensamento crítico devem ser aliar em favor das Ciências Humanas, para que estas não caiam numa hierarquia que as condene como “não-científicas” ou menos relevantes para a sociedade. Mais importante ainda, o autor é incisivo ao propor que os estudos humanos não devem servir aos poderes e se render a uma “tecnocientocracia” que só atende às demandas do sistema e favorece sua manutenção, mas sim procurar cada vez mais se libertar e nos libertar intelectualmente. Para ele, após as incontáveis revoluções técnicas dos