Neologismos
ILTEC 0. Introdução
Os meios de comunicação social, por estarem em permanente contacto com uma parte muito significativa da comunidade linguística, são vistos como o principal veículo de difusão da língua-padrão. Pelo facto de a sua linguagem ser muitas vezes tomada como modelo de referência, é natural que condicionem ou incentivem certas tendências linguísticas dos falantes, sobretudo ao nível do vocabulário usado. De acordo com alguns levantamentos estatísticos1, existem programas de televisão que, em Portugal, chegam a ser vistos e ouvidos por cerca de quatro milhões e meio de pessoas. Trata-se de um número bastante elevado, tendo em conta que a população total não atinge os dez milhões e que existem outros programas televisivos transmitidos ao mesmo tempo. O estudo que agora apresentamos tem como objectivo enumerar e descrever os neologismos produzidos nos meios de comunicação social, identificados de acordo com critérios lexicológicos e morfológicos bem estabelecidos. Os dados aqui publicados têm por base a análise do corpus REDIP, um corpus que contempla a linguagem produzida na rádio, televisão e imprensa, em Portugal, no ano de 1998. Nele estão incluídas gravações da Rádio Renascença, RDP (Antena 1 e Antena 2) e TSF, que correspondem à parte da rádio; da SIC, da RTP1 e RTP2, que correspondem à parte da televisão; e ainda artigos do Diário de Notícias, Expresso e Público. O corpus REDIP compreende um total de 324.000 palavras, dois terços das quais correspondem a língua falada. Além da divisão por meio, os textos encontram-se divididos por tema. Estão contemplados seis temas: actualidade, ciência, cultura, desporto, economia e opinião. 1. Definição de neologismo
Definimos como neologismos as palavras novas da língua, isto é, as palavras que entraram há pouco tempo ou que ainda estão num processo de integração no léxico da língua. Esta acepção