Fichamento do texto "O estranho" de Freud
“O estranho” de 1919 faz parte do conjunto de textos que introduzem as ideias de Freud sobre a psicanálise, o inconsciente e seus derivados, mecanismos de defesa do aparelho psíquico e as relações dinâmicas e econômicas dos impulsos pulsionais que oscilam entre id, ego e superego, dentre outras especificidades sobre sua metapsicologia. Críticos dos textos de Freud interpretam que o mesmo manteve uma atenção maior voltada aos campos da linguística, estética e literatura no texto “O estranho” do que no próprio campo psicanalítico. Freud inicia o texto, afirmando que os impulsos pulsionais inibidos em sua finalidade e nos quais não temos conhecimento consciente seriam de grande uso para o estudo da estética. Porém, determinado estudo não era frequentemente abordado pelos psicanalistas da época. Discorrendo sobre o que serviria para a compreensão da estética, cita-se “o estranho”, algo que seria desconhecido e amedrontador, mas ao mesmo tempo familiar; algo lhe aguçava a curiosidade sobre o próprio termo, e quais derivações o mesmo poderia alcançar. Em seguida, é exposto que os recorrentes tratados de estética prefeririam se preocupar com o belo, atraente e sublime, ou seja, com as coisas do mundo que tragam sentimentos bons, positivos. Logo, pouco se produzia no sentido de sentimentos opostos, de repulsa, medo, estranheza. Freud cita brevemente um artigo da literatura médico-psicológica que se propõe a fazer tal paralelo no campo da estética. Contudo, havia dificuldades em traduções de termos estrangeiros, o que dificultava o acesso às determinadas obras, por parte de Freud. Problemas com traduções de termos e expressões costumam dificultar o entendimento de alguns conceitos em psicanálise, como no texto Repressão (1915), no qual o termo repressão é amplamente usado, mas com o sentido de recalque, que é o termo que mais se adequa ao processo de defesa do aparelho psíquico contra os investimentos