Felizarda
O presente projecto de pesquisa tem como tema: “O Discurso Intersubjectivo em Martin Buber”, que se enquadra na área de ética. As especulações filosóficas feitas por Buber estão voltadas para a concretização da experiência de vida no mundo em que o logos e a práxis estão umbilicalmente relacionados. Na sua obra, EU e o TU representam o ponto consolidado da filosofia do diálogo para Buber, portanto, um sentido dialógico. Essa dialogicidade tem no entre o ponto central deste trabalho.
Buber constrói seu pensamento dentro de uma concepção antropológica que tenta considerar o ser humano em sua integralidade. Ele conseguiu clarear a filosofia do outro apresentando a problemática da relação. “É Buber que identificou esse terreno, viu o problema de Outrem, o eu, o Tu”. Ele busca descobrir um sentido para a pessoa que dê condições a ela de simplesmente ser.
A relação dialógica é a resposta que Buber encontrou para sanar a crise da humanidade no mundo. Os caminhos, segundo Buber, não existem para serem admirados, mas para serem percorridos; é preciso ouvir, mas não copiar; a existência humana não é o indivíduo nem a totalidade, mas sim o ser humano como humano; pois a pessoa se torna Eu no Tu e essa frágil vida, entre o nascimento e a morte, poderá tornar-se uma plenitude, se for um diálogo.
Partindo de sua antropologia filosófica, cujo fundamento é a compreensão do ser humano como um ser-com-o-outro, chega-se a sua idéia de encontro e diálogo. Buber, já se tinha noção de um comunicador e de um ouvinte. O filósofo que faz seu discurso e o discípulo que atentamente o escuta. Por vezes, a ênfase está naquele que fala, o filósofo, que é o caso da maioria dos filósofos que são protagonistas de seu pensamento. Contudo, muitas vezes a ênfase não está no filósofo, mas no interlocutor.
Buber chama de Eu aquele que se coloca diante de um outro para lhe falar. Entretanto , este Eu pode assumir uma postura preocupada ou lucrativa em relação a outro que pode ser um Tu