Estado de natureza
5 DEZEMBRO 2011 SEM COMENTÁRIOS
“Ao analisar como se originam as primeiras sociedades, os pensadores modernos utilizaram a expressão “estado de natureza” para ilustrar esse momento prévio, anterior ao aparecimento dos primeiros agrupamentos humanos, no qual reinava a maior das liberdades, isto é, no qual o homem vivia de acordo com a natureza, sem nenhuma restrição social — nem leis, nem normas, nem deveres… –, como os animais; estado no qual imperava a lei do mais forte, na expressão de Hobbes, numa espécie de “guerra de todos contra todos“. Semelhante estado de natureza teria mais um valor hipotético do que real: serviria para, a partir dele, reconstruir racionalmente o aparecimento do “estado civil“. Face a esse estado “selvagem” levantar-se-ia o “estado civil“, no qual o homem decidiria conviver pacificamente regendo-se por normas. Os motivos que levam o homem natural a ceder a sua liberdade absoluta, bem como a forma de realizar esse pacto ou contrato social, será o que caracteriza a conceção dos diversos pensadores”
[leia aqui a resposta de Thomas Hobbes a estes problemas].
(GONZÁLEZ RUIZ, Fernando. GONZÁLEZ RUIZ, Agustín. Filosofía: Bachillerato: 1º. Madrid: Ediciones Akal, 2002, p. 341)
Jonathan Wolff
[Introdução à filosofia política. Lisboa: Gradiva, 2004, p. 18-20]
pergunta se alguma vez terá existido um estado de natureza.
“Muitos filósofos parecem relutantes em comprometer-se relativamente a este assunto. Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), por exemplo, pensava que levaria tanto tempo a passar de um estado de natureza para a «sociedade civil» (uma sociedade governada por um estado formal), que se tornava blasfemo supor que as sociedades modernas teriam surgido dessa forma. Afirmava que o tempo necessário à transição seria superior à idade do mundo, tal como registada nas escrituras. Por outro lado, Rousseau também pensava que havia exemplos contemporâneos de povos a viver num estado de natureza,