Encobertos na comportamental
Maly Delitti1
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
"Sinto uma grande angústia..." "Tive um sonho e quero lhe contar..." "Fiquei imaginando como seria..." "Nos meus sonhos eu sinto..."
Estas frases são ouvidas frequentemente por todos terapeutas, independentemente de sua abordagem teórica. Na realidade, todo terapeuta ouve relatos acerca de comportamentos encobertos. Além disso, todo terapeuta tem seus próprios sentimentos, sonhos, intuições, isto é, seus próprios comportamentos encobertos.
Na Terapia Comportamental, que se baseia nos princípios da Análise do Comportamento, considera-se que os eventos privados são comportamentos encobertos. No entanto, deve-se lembrar, como diz Skinner (1967), que"não há necessidade de supor que os eventos que acontecem sob a pele de um organismo tenham, por essa razão, propriedades especiais. Pode-se distinguir um evento privado por sua acessibilidade limitada mas não, pelo que sabemos, por qualquer estrutura ou natureza especiais" (p. 149). Os comportamentos encobertos são atividades de um organismo. Sonhar, pensar, sentir, intuir são comportamentos e como tais não precisam nem devem ser considerados como eventos mentais ou cognitivos. Considerá-los como mentais ou mesmo de uma natureza diferente dos comportamentos observáveis pressuporia a crença em uma mente ou psique, o que não faz parte da proposta do behaviorismo radical.
Segundo Skinner (1969), o comportamento é uma interação entre indivíduo e ambiente. A unidade básica de análise do comportamento é a contingência de três termos. A formulação das interações entre um organismo e seu meio ambiente, para ser adequada, deve sempre especificar: 1) a ocasião na qual ocorreu a resposta, 2) a própria resposta e 3) as conseqüências. As relações entre estes três aspectos constituem as contingências de reforço. Analisando-se as contingências da vida do indivíduo, da vida da espécie, e do grupo cultural, podem-se